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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Santo Antônio... de Pádua, de Lisboa. Muito além do Santo Casamenteiro: um exemplo de humildade.



            Neste dia 13 de Junho a Igreja Católica apostólica romana celebra Santo Antônio. De Pádua ou de Lisboa, como queiram. Um dos Santos mais conhecidos e mais venerado em todo o mundo. Dia de festa junina. Santo Antônio é mais que um santo casamenteiro, ele foi um grande anunciador do Evangelho deixou o grande exemplo de uma vida coerente com aquilo que se prega: “Maior característica de Santo Antônio é a busca por uma vida coerente. Pois ele sabia que muito mais que anunciar é preciso ter a vivência da palavra de Deus, mirando o exemplo dos santos”, diz Lilson Rodrigues, pároco da Paróquia Santo Antônio, de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. Conheçamos mais sobre a vida deste Santo.
           
Vocação Religiosa desde a infância

            Nascido em Lisboa por volta de 1193, Batizado com o nome de Fernando Martins, ingressou na Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Fernando teve uma vida farta e estudou nos melhores escolas. Mas depois ingressar na vida religiosa na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, o jovem  sacerdote pede para ser transferido para Coimbra a fim de ficar longe do assédio da família que não aceitava sua escolha pela pobreza, onde pode aprofundar seu conhecimento com o próprio Santo Agostinho, e com outros Padres da Igreja. Adquiriu profundo conhecimento das sagradas escrituras, base das suas futuras pregações. Aí tornou-se sacerdote.
            Fascinado pelas propostas de desapego aos bens materiais da doutrina Fransciscana, interpretou como sinal divino o recebimento de restos mortais de mártires Franciscanos por Coimbra, em 1220.  Tendo manisfestado seu desejo de mudança de Ordem Eclesiástica e tendo recebido autorização dos superiores, o cônego Fernando recebeu o hábito dos Frades Menores algum tempo depois, tomando o nome de Frei Antônio.

Humildade e aceitação da vontade de Deus

            Decorridos apenas cinco meses de noviciado, conseguiu ser enviado para a terra que dera os primeiros mártires à Ordem Franciscana. Imagina que aí seria o auge de sua vida religiosoa e santidade. Porém Deus queria dele uma luta mais longa e difícil, cujo primeiro passo consistia na inteira renúncia à própria vontade. Pouco depois de desembarcar em solo africano, fortes febres o acometeram, tornando-o incapaz de qualquer atividade, e o superior enviou-o de volta à Europa.
            Na viagem de retorno, o navio foi arrastado por uma tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio dirigiu-se a Assis, onde se realizaria um Capítulo Geral da Ordem, nas vésperas de Pentecostes de 1221, presidido pelo próprio São Francisco.
            Encerrada a Assembleia, sendo ainda desconhecido no meio daquela multidão de frades, pediu ao Provincial de Romandiola que o acolhesse como subalterno, e passou a viver no Eremitério de São Paulo. Ignorando sua linhagem e formação, deram-lhe a função de ajudante de cozinha, a qual assumiu sem titubear. Deste modo, passou longos meses no mais completo anonimato, tendo por cela uma gruta e tudo aceitando sem a menor reclamação.

O início da vida pública

            Certa vez,  o supervisor pede para ele fazer o sermão do dia de improviso em uma celbração litúrgia na qual estavam presentes alguns filhos de São Francisco e de São Domingos, e na qual vários religiosos receberam o Sacramento da Ordem. E todos ficaram surpresos com sua facilidade e sabedora para anunciar o Evangelho. ao terminar, ninguém mais se lembrava do fato de ser ele um apagado cozinheiro, transmudado diante de todos, agora, num insigne predicador.
            Assim se iniciou a vida pública de Santo Antônio de Pádua. A batalha contra si mesmo e contra o mal, conduzida até aquele momento na solidão e austeridade do claustro, tomava ali uma proporção missionária. Deus o chamava a evangelizar as multidões, auxiliando-as, através do ministério da palavra, na perpétua e ferrenha luta do homem contra o pecado.

Não devemos ficar calados diante do mal

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Nossa Senhora de Lourdes




- Quem a Senhora é?
- Eu sou a Imaculada Conceição!

Esse é o trecho final de um diálogo acontecido em 1858, quando Nossa Senhora apareceu 18 vezes a Bernardette Soubirous na Gruta de Massabiele, situada às margens do rio Gave, nos arredores da vila francesa de Lourdes.

A 11 de fevereiro a Igreja comemora essa série de aparições da Virgem Imaculada. É a festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Em 24 de fevereiro de 1858 aconteceu a oitava dessas aparições. Nesse dia, Nossa Senhora revelou a Bernardette sua primeira mensagem que, resumindo, seria: "Penitência, penitência, penitência! Rogai a Deus pelos pecadores".

Nossa Senhora ainda mostrou a Santa Bernardette (nona aparição, 25 de fevereiro) como praticar essa "penitência": "vá e toma da água da fonte" e lave-se nela. Ela mandou também que Bernardette comesse de umas ervas que cresciam na gruta. Dois pedidos aparentemente absurdos, humilhantes.

Comer aquele capim já seria ridículo, pior que isso era a questão da água para beber e lavar-se: Não existia nenhuma fonte no local! No entanto, cheia de Fé e humildade, Bernardette comeu a erva recomendada e, com as próprias mãos, escavou o chão da gruta. Da terra brotou água que ela bebeu e com a qual se lavou, tal como havia sido recomendado pela Senhora da Conceição Imaculada.

Os que assistiram ao fato ficaram atônitos e se perguntaram: Bernardette não teria ficado louca?

Não! Ela apenas obedecia sem entender e sem pedir explicações. Ela julgava, com acerto, que de uma Senhora tão excelsa só poderiam vir coisas boas.

Ali, junto ao local onde a Imaculada Conceição colocou seus pés, brotou um manancial de águas prodigiosas. Ali nasceu a fonte de Lourdes: um jorro contínuo de graças e de milagres. Doentes com enfermidades físicas e espirituais de toda espécie alcançaram nela curas inexplicáveis, milagrosas.

O convite para repetir o gesto de Bernardette espalhou-se logo pelo mundo. E, ainda hoje, fiéis de todos os cantos se beneficiam daquele primeiro ato de humildade e submissão da pastora de Massabielle. O gesto piedoso e penitencial de beber da água da Gruta de Lourdes e nela lavar-se tem trazido curas e graças especiais. E em quantidade tal, que parecem inesgotáveis.

A Imaculada Conceição

Havia passado apenas quatro anos desde que o Papa Pio IX definira solenemente a verdade de Fé segundo a qual Maria Santíssima foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser. Ainda que esse dogma fosse duramente atacado pelos inimigos da Igreja, o agora Beato Pio IX, com uma coragem de anjo, proclamou-o a todos os homens.

O mundo católico exultou de alegria por ver nas aparições uma celestial confirmação do Dogma, uma vez que Nossa Senhora apresentava-se como sendo a Imaculada Conceição.

Começam os milagres

O ciclo das aparições ainda não havia terminado: através da água milagrosa de Lourdes, Nossa Senhora começou sua ação junto aos homens.

Tomando conhecimento do que acontecia na gruta, o pároco de Lourdes, ainda um pouco desconfiado, rezou a Deus pedindo um sinal celeste a fim de certificar-se da veracidade e idoneidade de tudo que estava acontecendo em sua paróquia. Deus atendeu seu pedido enviando um sinal que seria útil para o bom padre e seus paroquianos também:Por mais de vinte anos um homem chamado Bourriette estava cego. Todos o conheciam na região. Ele havia perdido um olho numa explosão em uma mina.

Sendo um homem de fé, Bourriette pediu a sua filha que trouxesse água da nova fonte de Massabielle. Ele pôs-se a rezar pedindo a Nossa Senhora sua cura, bebeu da água e em seguida lavou os olhos com ela. Logo ele começou a gritar de alegria: ele tinha voltado a enxergar.

Os médicos que antes haviam afirmado que ele jamais poderia recobrar a visão, examinaram o homem novamente e não tiveram outra alternativa que chamar o ocorrido pelo nome que lhe era mais próprio: milagre. Bourriette enxergava perfeitamente, embora as causas da cegueira continuassem ali: lesões profundas da ferida causada pela explosão e cicatrizes.

Ainda durante o período das aparições, outros milagres ocorreram. Foi, por exemplo, o caso de Justino, um menino de dois anos. Ele estava enfermo e teve um desmaio repentino. Não dava mais sinais de vida.

Sua mãe o levou até a Gruta pedindo veementemente pela vida do menino. Em seguida ela o colocou por 15 minutos nas águas da gruta. Depois disso, tendo sido levado de volta para casa, Justino voltou a respirar com normalidade, a cor rosada da pele voltou, seus olhos brilharam e ele pediu comida.

Este fato comoveu todos da região de Lourdes e logo foi conhecido na França toda e pela Europa afora.

Três renomados médicos examinaram o menino e atestaram que, aquilo era cientificamente inexplicável e só podia tratar-se de um milagre de primeira ordem. Nossa Senhora manifestava-se maternalmente e mostrava assim sua vontade de fazer o bem. Por isso, os milagres continuavam e continuam até hoje.

Perseguição dos detratores, difamação e calúnias

Com os milagres e a peregrinação de fiéis aumentando  em Lourdes os céticos começam seus ataques, os boatos e a propagação de boatos falsos: um junta de médicos acusa Bernadete de estar loucas, ameaça interná-la em manicômio. Análises da água da fonte de Lourdes tentam explicar as curas por características físico-químicas da fonte com o intuito de desmerecer e desmistificar as curas miraculosas. No entanto mal podiam esperar os céticos que esta perseguição viria a contribuir para que os milagres em Lourdes tivessem maior embasamento após explicações científicas!


Desenhados pelos ataques

As heresias sempre foram uma oportunidade para que a Igreja pudesse desenvolver sua doutrina. Já houve até quem afirmasse que, ao longo dos séculos, o perfil da Igreja foi esculpido pelos ataques desferidos contra ela. Isso quer dizer que, de cada chaga que os inimigos abrem no corpo da Igreja não aparece a marca de uma cicatriz, pelo contrário, surge uma luz que indica e discerne a beleza de seu perfil doutrinário.

Aqui nós podemos aplicar o mesmo raciocínio.

A ofensiva das críticas, calúnias e detração contra os milagres de Lourdes favoreceu o aparecimento de um órgão que tinha como encargo constatar, com todo rigor científico, a autenticidade e a natureza dos milagres acontecidos em Massabielle. Era a Comissão Medica de Lourdes, criada por Dom Laurence, bispo diocesano de Tarbes-Lourdes, em 28 de julho de 1858, doze dias depois da última aparição de Nossa Senhora.

Essa primeira comissão foi a base para o surgimento do atual Bureau Médico de Lourdes.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

São Nicolau: o verdadeiro Papai Noel


Vivenciamos o tempo do advento, nos preparando para a grande festa do Natal de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. No entanto, a sociedade e a mídia sempre desviam o foco da festa para o consumismo e para a ceia, deixando o Nascimento de Cristo, real motivo da festa e a religiosidade da mesma, de lado. Ganha destaque a figura do Papai Noel. E você sabia que mesmo esta figura tão explorada comercialmente é na verdade um Santo canonizado pela Igreja Católica? Trata-se de São Nicolau nascido no ano de 275 em Pátara, na então Ásia Menor, corresponde hoje aproximadamente ao território asiático da Turquia, à Arménia e ao Curdistão. Tornou-se sacerdote, e depois bispo da Diocese de Mira (atual Turquia), onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de perseguição que os cristãos viviam. É padroeiro da Rússia. Na Alemanha, o “Papai Noel” é chamado de Nikolaus. No Ocidente, é venerado de modo especial na França, Alemanha, Inglaterra e Irlanda. Suas relíquias foram levadas para Bari, na Itália, onde há um templo em sua honra. São Nicolau é conhecido principalmente pelo seu trabalho a favor dos mais pobres: recebeu como herança uma grande quantia de dinheiro e livremente partilhou com os necessitados.

A origem do Papai Noel de barbas brancas e com o saco vermelho

Certa vez, São Nicolau soube que três pobres moças da região que pretendiam se casar não tinham os dotes necessários. À época era costume garantias financeiras para a efetivação do matrimônio. O Pai destas moças então aconselhou-as a prostituirem-se para conseguirem o dinheiro. São Nicolau foi então por três noites até a casa das moças e jogou pela chaminé da casa sacos vermelhos com moedas de ouro com dinheiro suficiente para os dotes de cada uma destas jovens, que escaparam da prostituição e conseguiram se casar. Na terceira vez em que fora jogar o saco vermelho com o dinheiro pela chaminé, foi surpreendido pelo doo da casa, que chorando o agradeceu muito. Desta cena, surgiu a imagem do senhor de barbas brancas (fisionomia de São Nicolau), com saco vermelho, entrando pela chaminé das casas a noite. Durante seu bispado São Nicolau também se destacou pelo convívio com crianças, e a Igreja acabou por atribuir a ele o título de Patrono das Crianças. Hoje em dia, em algumas cidades da Alemanha, este grande Santo é representado indo de casa em casa, levando presentes para as crianças piedosas e bem comportadas. A festa de São Nicolau é celebrada por toda a Igreja no dia 6 de dezembro. Daí então a associação do Papai Noel com a distribuição de presentes para as crianças bem comportadas no natal.

O Papai Noel barrigudo do capitalismo

As semelhanças entre a figura de São Nicolau e do Papai Noel que conhecemos hoje terminam na barba, no saco vermelho e a cena da chaminé. São Nicolau não era barrigudo, não usava roupa vermelha nem botas pretas; pelo contrário: São Nicolau era alto, esbelto, vestia um tipo de batina branca e mitra, comuns aos bispos da época. Estas características foram atribuídas pela Coca-Cola® em uma campanha publicitária em 1931. O cartunista americano Thomas Nast foi o criador do atual Papai Noel, que na época apareceu nas propagandas oferecendo uma garrafa de refrigerante para uma garotinha. O marketing da empresa parece ter dado tão certo, que fez com que muitos, desde então, nem se dessem conta da existência de outro Papai Noel.

Movimento pela volta da figura de São Nicolau

Desde 1997, existe um movimento organizado pelo padre alemão Eckhard Bieger, que tenta resgatar o verdadeiro símbolo das comemorações de Natal. O padre jesuíta deseja evitar a confusão que frequentemente envolve as duas figuras natalinas. Em entrevista a uma agência de notícias, ele afirma que São Nicolau é "desde a Idade Média o patrono das crianças". Por esse motivo, "a Coca-Cola deveria procurar outra figura para propagar o clima natalino", conclui.
A iniciativa de Bieger tenta eliminar o teor mercadológico e comercial que acabou sendo associado ao Natal. Resgatar o símbolo original do Natal pode ser um passo para não se perder o verdadeiro sentido da comemoração do nascimento do Menino Jesus.

Fontes:
São Nicolau. Blog Santo do Dia da Comunidade Canção Nova. Disponível em:
Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

São Nicolau: o Verdadeiro Papai Noel. Blog da Valéria Vilma.

Ásia Menor. Infopédia: enciclopédia e dicionários Porto Editora.
Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

São Nicolau e o Papai Noel. Blog Sempre Alegria. Disponível em:
Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Imaculada Conceição de Maria




Celebramos hoje, dia 08 de Dezembro a Imaculada Conceição de Maria. Por este título a Igreja Católica exalta a condição de pureza irretocável e de total ausência de pecado da Virgem Maria. Esta festa é notoriamente nos dias de hoje uma das maiores celebrações da Igreja Católica no mundo, especialmente nos países latinos. No entanto nem sempre fora assim: por muito tempo a Igreja não se pronunciou oficialmente a favor desta condição de Maria; padres, teólogos, leigos e até santos duvidaram e chegaram a combater a crença na Imaculada Conceição. O clamor popular foi decisivo par que a Igreja se posicionasse oficialmente sobre o tema. Confira abaixo um breve histórico deste dogma, adaptado do texto de Monsenhor João Clá Dias.

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A Imaculada Conceição: “Piedosa crença” que se tornou dogma
Adaptado de Monsenhor João Clá Dias

A Imaculada Conceição da Maria Virgem - singular privilégio concedido por Deus, desde toda a eternidade, Àquela que seria Mãe de seu Filho Unigênito - preside a todos os louvores que Lhe rendemos na recitação de seu Pequeno Ofício. Apresenta-se agora um pequeno histórico da dessa "piedosa crença" que atravessou os séculos, até encontrar, nas infalíveis palavras de Pio IX, sua solene definição dogmática.

Onze séculos de tranquila aceitação da "piedosa crença"

Os mais antigos Padres da Igreja, sempre expressaram sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria. Assim, por exemplo, São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, Firmio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Epifânio, Teódoro de Ancira, Sedulio e outros comparam Maria Santíssima com Eva antes do pecado. Santo Efrém A exalta como tendo sido "sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada". Para Santo Hipólito Ela é um "tabernáculo isento de toda corrupção". Orígenes A aclama "imaculada entre imaculadas, nunca afetada pela peçonha da serpente". Por Santo Ambrósio é Ela declarada "vaso celeste, incorrupta, virgem imune por graça de toda mancha de pecado". Santo Agostinho afirma, disputando contra Pelágio, que todos os justos conheceram o pecado, "menos a Santa Virgem Maria, a qual, pela honra do Senhor, não quero que entre nunca em questão quando se trate de pecados".
Cedo começou a Igreja a comemorar em suas funções litúrgicas a imaculada conceição de Maria. Passaglia, no seu De Inmaculato Deiparae Conceptu, crê que a princípios do Século V já se celebrava a festa da Conceição de Maria (com o nome de Conceição de Sant'Ana) no Patriarcado de Jerusalém. O documento fidedigno mais antigo é o cânon de dita festa, composto por Santo André de Creta, monge do mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém, o qual escreveu seus hinos litúrgicos na segunda metade do século VII.
Tampouco faltam autorizadíssimos testemunhos dos Padres da Igreja, reunidos em Concílio, para provar que já no século VII era comum e recebida por tradição a piedosa crença, isto é, a devoção dos fiéis ao grande privilégio de Maria (Concílio de Latrão, em 649, e Concílio Constantinopolitano III, em 680).
Em Espanha, que se gloria de ter recebido com a fé o conhecimento deste mistério, comemora-se sua festa desde o século VII. Duzentos anos depois, esta solenidade aparece inscrita nos calendários da Irlanda, sob o título de "Conceição de Maria".
Também no século IX era já celebrada em Nápoles e Sicílias, segundo consta do calendário gravado em mármore e editado por Mazzocchi em 1744.
Em tempos do Imperador Basílio II (976-1025), a festa da "Conceição de Sant'Ana" passou a figurar no calendário oficial da Igreja e do Estado, no Império Bizantino.
No século XI parece que a comemoração da Imaculada estava estabelecida na Inglaterra, e, pela mesma época, foi recebida em França. Por uma escritura de doação de Hugo de Summo, consta que era festejada na Lombardia (Itália) em 1047. Certo é também que em fins do século XI, ou princípios do XII, celebrava-se em todo o antigo Reino de Navarra.

Séculos XII-XIII: Oposições

No mesmo século XII começou a ser combatido, no Ocidente, este grande privilégio de Maria Santíssima.
Tal oposição haveria ainda de ser mais acentuada e mais precisa na centúria seguinte, no período clássico da escolástica. Entre os que puseram em dúvida a Imaculada Conceição, pela pouca exatidão de idéias à matéria encontram-se doutos e virtuosos varões, como, por exemplo, São Bernardo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e o angélico São Tomás de Aquino.

Século XIV: Reação a favor do dogma

O século XIV se inicia com uma grande reação a favor da Imaculada, na qual se destacou, como um de seus mais ardorosos defensores, o beato espanhol Raimundo Lulio.
Outro defensor assíduo da Imaculada Conceição foi João Duns Escoto glória da Ordem dos Menores Franciscanos, o qual, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desfazer as dificuldades que os contrários utilizavam para se opor à singular prerrogativa mariana. Escoto ainda foi agraciado por um notório evento em favor da causa da Imaculada Conceição. Viajou de Oxford a Paris, para fazer triunfar o imaculatismo na Universidade da Sorbonne, em 1308, sustentou uma pública e solene disputa em favor do privilégio da Virgem. No dia desse grande ato, Escoto, chegando ao local da discussão, prosternou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava em sua passagem, e lhe dirigiu uma prece. A Virgem, para mostrar seu contentamento com esta atitude inclinou a cabeça - postura que, a partir de então, Ela teria conservado...
Depois de Escoto, e graças aos seus estudos que deixavam os argumentos contrários à Imaculada Conceição extremamente enfraquecidos, os defensores do futuro dogma se multiplicaram prodigiosamente. Muitos Franciscanos escreveram em favor à Imaculada conceição de Maria e acredita-se que estes sejam os responsáveis pela origem de sua celebração em Portugal, nos primórdios do século XIV.

Séculos XV-XVI: acirradas disputas

Em meados do século XV, a Imaculada Conceição foi objeto de renhido combate durante o Concílio de Basiléia, resultando num decreto de definição sem valor dogmático, posto que este sínodo perdeu a legitimidade ao se desligar do Papa.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Conheça a história da santa que se tornou padroeira da música

Santa Cecília, adorava estudar música, principalmente a sacra


Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: "A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade". Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir santa Cecília.

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus. Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da Corte, para ser esposa de Cristo, pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de idéia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza. Mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.

Entretanto a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos, ela em sua casa, os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio, por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam, e exigiu que abandonassem a religião, sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete, para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa. Então foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas lá foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.

Entre os anos 817 e 824, o papa Pascoal I teve uma visão de santa Cecília e o seu caixão foi encontrado e aberto. E constatou-se, então, que seu corpo permanecera intacto. Depois, foi fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar daquela igreja dedicada a ela. Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu-se que o corpo permanecia da mesma forma.
A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e desde o século XV é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.Fonte: Canção Nova Noticias  Sugerido por: Erika Cristine 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Santos na Igreja Católica




A definição comumente aceita de santos, entre os católicos, é que são aqueles indivíduos que viveram uma vida exemplar na terra e a quem a Igreja Católica determinou que estão certamente com Deus. Os santos são mais comumente conhecidos pelo martírio, virtude heróica, e milagres. Como resultado destes dons, católicos em todo o mundo rezam aos santos, e os honram celebrando seus dias festivos, mencionando-os de tempos em tempos na celebração da Missa, colocando estátuas e pinturas deles, entesourando seus pertences mundanos, bem como seus restos físicos, e dando os nomes deles a seus filhos e a suas igrejas.

O processo pelo qual a Igreja Católica determina quem é santo é chamado canonização. O candidato tem que ter estado morto há pelo menos cinco anos antes que um processo de santidade possa ser oficialmente iniciado. Quando uma pessoa religiosa muito respeitada morre, o bispo local tem que deixar que a reputação de santidade dessa pessoa cresça por si só. Se a adoração das pessoas aumenta e continua durante cinco a dez anos depois da morte da pessoa, então o bispo é autorizado a iniciar uma investigação oficial da vida e obra do candidato, de modo a ver se a reputação de santidade é fundada na verdade.

Há dois diferentes níveis de honra para os santos indivíduos que faleceram. Aquelas pessoas que são veneradas localmente ou por ordens religiosas de padres ou freiras são beatificadas. Elas são chamadas pelo título "beato". Somente aquelas que são canonizadas pelo Papa são realmente santos. Esta distinção é virtualmente ignorada pela maioria dos católicos. A mais completa compilação dos santos católicos, A Bibliotheca Sanctorum, está beirando os vinte volumes e alista mais de 10.000 santos. Só aproximadamente 400 deles foram oficialmente canonizados por papas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Sagrada História de São Francisco de Assis




Sabemos que as virtudes divinas e os valores espirituais são de valor insuperável, e que os bens mundanos são perecíveis. No entanto, é difícil ver exemplos de pessoas que reneguem fortunas para buscar os valores cristãos. A Sagrada Escritura nos relata Zaqueu, cobrador de impostos e muito rico, que após se encontrar com Jesus prometeu: “Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres; e, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais” (Lucas, 19, 8). São Francisco de Assis foi ainda mais radical: renegou toda a fortuna que herdara do pai e se entregou de corpo e alma à uma vida simples, pobre e de seguimento à Cristo.

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São Francisco de Assis nasceu em 1182, tendo partido para a Eternidade em 1226, aos 44 anos de idade. Na região e na época em que viveu era grande o apego ao luxo e às riquezas, o que minava a sociedade e causava danos à Igreja. Propôs ele um novo ideal de pobreza, obediência e castidade, tendo fundado a Ordem dos Frades Menores (franciscanos), que se expandiu pelo mundo através de várias ramificações. Também, com Santa Clara, fundou a ordem das Clarissas.

Havia se iniciado o século XIII. O jovem filho de um bem sucedido comerciante da cidade de Assis, até então apegado às amizades, aos bens materiais e às atrações do mundo, como a quase totalidade dos rapazes de sua idade, começa a inclinar-se à carreira das armas. Em uma batalha foi preso, tendo de aguardar cerca de um ano até ser resgatado, quando então foi prostrado por uma doença. Recuperado, tentou novamente engajar-se em um exército, porém o chamado de Deus foi mais forte: o jovem João, apelidado Francisco (nome pelo qual se tornou conhecido), voltou-se para o Criador, pois passou a vê-lo com os olhos do espírito ao considerar as virtudes através das quais Ele se revelava.


A juventude e a conversão

Francisco trabalhava como comerciante, e mesmo gostando de obter lucros jamais se prendeu desesperadamente ao dinheiro e às riquezas, gostando, por vezes, de ajudar os pobres. Era muito rico, mas não avarento, e sim pródigo e gastador; um negociante esperto, mas ao mesmo tempo esbanjador insensato. Era gentil, paciente, afável e manso, mas nem sempre as qualidades se sobressaíam naquele jovem que tinha por objetivo a vida mundana.

Certa vez um pobre adentrou a loja em que estava Francisco ocupado com os negócios, para pedir uma esmola pelo amor de Deus, sendo despedido com rispidez sem nada ganhar. A consciência de Francisco logo o acusou, dizendo: "se ele tivesse pedido algo em nome de algum conde ou barão, com certeza o terias atendido; quanto mais não o deverias ter feito pelo Rei dos reis e Senhor de todos". Tomou ali Francisco a decisão de nunca mais negar o que lhe fosse pedido em nome de tão grande Senhor.

Francisco passou a dar generosas esmolas aos pobres que encontrava, inclusive distribuindo suas roupas e outros bens, procurando assim seguir o mandamento do amor ao próximo tantas vezes ilustrado pelos fatos e parábolas narrados nas Sagradas Escrituras. Passou a ser alvo de críticas e deboches por parte dos habitantes da região, e de grande raiva por parte de seu pai, dotado de profundo apego a todos os bens e riquezas que acumulara no comércio de tecidos em que enriquecera.


A rejeição ao mundo e a entrega à pobreza

O conflito familiar chegou a tal ponto que o pai de Francisco, Pedro de Bernardone, levou o caso ao bispo, acusando o filho de dissipar sua fortuna e exigindo uma compensação por tudo o que fora por ele retirado de sua loja para dar aos pobres. Então o jovem, inspirado pelo Espírito Santo, tomou a decisão inimaginável por todos os que ali presenciavam a cena: entregou ao avarento progenitor tudo o que tinha consigo, inclusive as próprias roupas, e disse: doravante não mais direi "meu pai Pedro de Bernardone", e sim "Pai nosso que estais no Céu". Coberto apenas pelo cilício (um áspero couro animal destinado a incomodar a pele, que usava sob as roupas para combater certos impulsos corporais), Francisco foi então abrigado pela capa cedida pelo bispo, ali renunciando publicamente à herança; pediu a bênção episcopal e partiu para a vida de pobreza, passando depois a ter por companheiros vários amigos que quiseram seguir a mesma via de perfeição. Não chegara sequer aos 25 anos quando esses fatos ocorreram. Era o início da família franciscana, que não se restringiu ao sexo masculino, pois Francisco, com a jovem Clara - que se inclinou a seguir os passos desse santo homem -, fundou o ramo feminino, que obteve do papa Inocêncio III o reconhecimento do direito de ser pobre e de nada possuir.

Diz-se que Francisco e a Pobreza contraíram um casamento místico. Na verdade, conforme estudos aprofundados feitos nos antiquíssimos escritos históricos e alegóricos a respeito do Fundador e dos primeiros franciscanos, nota-se que o que Francisco fez foi uma vassalagem mística com a Pobreza, a quem se entregou para servi-la. A ela se referia como "minha senhora", expressão que na época caracterizava uma obediência e com a qual se entregava àquela virtude que tanto admirava.

Entre as mais famosas e importantes virtudes, que no homem preparam um lugar para Deus e ensinam o caminho melhor e mais rápido para chegar até Ele, a santa Pobreza sobressai a todos por uma certa prerrogativa e supera os títulos das outras por uma beleza singular. Ela é fundamento e guardiã das virtudes todas, e entre as conhecidas virtudes evangélicas ela tem, merecidamente, um lugar de honra. Essas palavras iniciam o texto alegórico que mostra a relação mística entre o Fundador franciscano e a Senhora Pobreza, esposa de Cristo.


A Oração da Paz, espelho do amor ao próximo

Em tudo Francisco procurava seguir o Evangelho, como bem se pode perceber nas belas palavras da Oração da Paz que externam o amor ao próximo, e que nunca perderam a atualidade:

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado.
Compreender que ser compreendido; amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Algumas admoestações de Francisco evidenciam a paz e o amor que se deve ter para com o próximo. Disse ele, comentando as palavras do Divino Mestre "bem aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus": São verdadeiramente pacíficos os que, no meio de tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz, interior e exteriormente, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Disse também que é bem aventurado o homem que suporta o seu próximo com suas fraquezas tanto quanto quisera ser suportado por ele se estivesse na mesma situação. E ainda, referindo-se à benquerença que deve reinar nas Casas da família franciscana: Bem aventurado o servo que ama o seu confrade enfermo que não lhe pode ser útil, tanto como ao que tem saúde e está em condições de lhe prestar serviços. Bem aventurado o servo que tanto ama e respeita o seu confrade quando está longe como se estivesse perto, e não diz na ausência dele coisa alguma que não possa dizer na sua presença sem lhe faltar à caridade.